segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O primeiro automóvel a chegar em Araguari (Memória)

Com a licença do meu amigo jornalista, Aloísio Nunes de Faria, meu conterrâneo, do Jornal de Araguari e editor do Portal de Araguari, reproduzo o interessante texto extraído do livro “Pelos Caminhos da História – Pessoas, Coisas e Fatos de Araguari”, editado em 1988, ano do Centenário de Araguari, pela Artgraf-Editora e Artes Gráficas Ltda.) e publicado em seu blog, no último domingo, 8 de janeiro de 2012.

Por Abdala Mameri (*)

Era Ford, zero quilômetro e custou três contos e seiscentos mil réis, comprado pelo Sr. Manoel de Olveira Alves, diretamente da Riechman & Cia., sede em São Paulo, Bairro do Bom Retiro, considerada entre as maiores firmas importadoras da época. O Sr. Oliveira, assim era conhecido, veio para Araguari por volta de 1908. Estabeleceu-se à rua João Peixoto [...]

O proprietário dedicava-se ao comércio geral de tecidos, cereais, secos e molhados, ferragens e armarinhos. O nome do estabelecimento era Casa Violeta [...]

Por influência de Bertoldo de Morais, o primeiro motorista de Araguari, Oliveira, casado com a sra. Luisa Guimarães, dona Sinhá, prometeu que adquiriria um automóvel, o que acabou acontecendo.

Ford Modelo T e o seu criador, o empresário
estadunidense Henry Ford (1863 – 1947)
A CHEGADA

Bertoldo de Morais permaneceu 22 dias em São Paulo, para fazer o curso e regressou a Araguari três dias depois do automóvel, motivo por que a Mogiana cobrou armazenagem. Foi importado diretamente da Alemanha. Era o dia 23 de janeiro de 1913. Dia de semana, na parte da manhã, quanto em frente à estação da Mogiana ajuntou-se a população ávida pela novidade. É de se imaginar o suspense de todos, quando foi descido o carro e ouviu-se o ronco do motor. Muitos devem ter aberto a boca ao vê-la andar pelas ruas da cidade.

ELEGÂNCIA

O primeiro a utilizá-lo foi o Sr. Oliveira.

Daí a pouco, levados pela curiosidade, todos queriam dar uma volta, que custava dois mil réis. O patrão ganhou dinheiro, uma vez que a máquina funcionava o dia inteiro, para atender aos sequiosos da grande aventura. O próprio motorista teve de almoçar dentro do veículo, diversas vezes. Em 22 dias ganhou-se tanto dinbeiro que o carro se pagou.

Os faróis, iluminados com gaz acetileno, eram acesos com fósforo. Para ligar, girava-se a manivela, até que o motor começasse a roncar. Pareciam soluços, mas firmavam-se daí a pouco. Para explorar o ramo, foi constituída a sociedade Moraes & Oliveira, formada por Manoel Alves de Oliveira e Bertoldo de Morais.

* Abdala Mameri, historiador, poeta, escritor e jornalista araguarino, nasceu em 07 de março de 1925 e faleceu em 28 de novembro de 1998. Foi fundador da Academia de Letras e Artes de Araguari e seu dirigente por trinta anos. Ocupou a cadeira de número 26 da Academia de Letras do Triângulo Mineiro. É patrono da Casa da Cultura de Araguari “Abdala Mameri”. Em 1988 escreveu o livro “Pelos Caminhos da Vida”, onde relata os fatos históricos que resultaram na emancipação política de sua cidade.

Um comentário:

Teresa Cristina Montes Cunha disse...

Olá Ricardo, que bom poder contar com as informações preciosas de seu blog. Abraços.