terça-feira, 30 de março de 2010

Tupaciguara - uma estória que se conta

Antiga  "Abadia do Bonsucesso", Tupaciguara foi fundada pelos Cruzados, liderados por "Guilherme Mão de Ferro", que saíram de Roma no ano 984 com a intenção de livrar Jerusalém do domínio muçulmano, entretanto, devido ao mau tempo, a qualidade questionável da cerveja de bordo e a péssima orientação espacial do Mão de Ferro, tiveram a embarcação desviada para a costa do Brasil, aportando no Porto Seco da cidade de Uberlândia no alvorecer do século X.

Depois desse desastre de percurso, Guilherme Mão de Ferro ficou conhecido como "Guilherme Cabeça de Vento". Saindo de Uberlândia, à procura do Oceano Atlântico, seguiram para o noroeste, acompanhando o Rio Uberabinha, entrando cada vez mais no Brasil Central. Esses intrépidos, corajosos e confusos guerreiros encontraram com os valentes índios da "tribo Nhenhenhém", contra os quais travaram um violento combate às margens do Rio Araguary, logo abaixo da foz do Rio Uberabinha. Nesse lugar existe ainda hoje um vasto parque arqueológico não sendo raro encontrar espadas, capacetes e restos de armaduras dos guerreiros liderados pelo Cabeça de Vento contra os selvagens Nhenhenhém.

Após dias vagando a procura do oceano, já cansados de comerem macacos e tamanduás e com os homens profundamente enfraquecidos por uma terrível caganeira ocasionada pelas águas infectadas do Córrego dos Cágados, o General Cabeça de Vento fixou sua bandeira cruzada naquele chão duro de terra vermelha. Agradecido aos céus pelos sucessos na viagem, Cabeça de Vento ergueu uma imponente Abadia gótica com pedras de basalto e granito, além de mármores ricamente talhados provindos da Europa, da Ásia e da Oceania. E a Vila dos Cruzados passou a se chamar "Arraial da Abadia do Bonsucesso".

Depois que morreram todos os cruzados, a vila de Abadia do Bonsucesso foi esquecida e, somente no início do século XX, a vila ressurge, graças à figura impressionante de uma mulher goiana do pé rachado: "Dona Orozimba Carmelo Sant'Anna", próspera comerciante de remédios naturais e bugigangas, que determinada a expandir os negócios, resolve ir para Uberlândia, onde fundaria uma Botica. Entretanto, as águas pútridas do Córrego dos Cágados, fizeram-na estancar a viagem aos pés das ruínas góticas da antiga Abadia do Bonsucesso.

Restabelecida da diarréia furibunda que lhe acometera, a visionária comerciante descobriu uma oportunidade única de negócios: abriria naquela vila um hotel nas margens da estrada que ligava Goiás e Minas Gerais, com vistas a atender aos carreiros, peões e viajantes que até então evitavam aquela rota devido a má fama de suas águas. Dona Orozimba Carmelo fundou anexo ao bar uma casa de espetáculos, a primeira de toda região, chamada "Boite Dançante do Vaga-Lumes". As primeiras bailarinas contratadas foram índias da tribo Sururu e Cuatimundé, pegas no laço firme dos jagunços de Dona Orozimba.

A vila cresceu às sombras do "Bordéu de Dona Orozimba Sant'Anna", que manteve o mesmo nome da cidade. Até que em 1923 um cônego goiano "Teóphilo de Paiva" subiu ao púlpito da igreja e gritou: Minha Gente, meu povo! Essa cidade de hoje em diante é "Tupaciguara, que quer dizer Terra da Mãe de Deus!".
Cônego Teóphilo foi apoiado pelas terríveis "Irmãs Polveiras", donas do negócio de pólvora e fazedoras de foguetes e bombas de São João. As quais eram católicas apostólicas romanas e fanáticas xiitas, a ponto de explodirem a cidade se a decisão eclesiástica não fosse cumprida imediatamente.

A Casa das Polveiras, também conhecida como Quartel General do Cônego é hoje o bonito Museu Municipal.

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Fundação: 31 de fevereiro de 1914 (E não mudou nada desde então)

Famosos nacidos em Tupaciguara:

Eusébio de Queiróz; Nalva Aguiar; Ari Fontoura (Nonô Gouveia); A Velha Surda da A Praça é Nossa; Maria Ana Polveira e Ana Maria Polveira; Luciana de Paiva Medeiros, famosa chacrete do Cassino do Chacrinha e bailarina do Clube do Bolinha; Maria Helena, cantora da dupla As Estrelinhas de Tupaciguara, juntamente com Nalva Aguiar, nos finais da decada de 40 do século passado.
Virgolino Ferreira.

Festas Tupaciguarenses:
. Festa do Divino, na bonita capela do Divino, na estrada que leva para o Arraial de Tucanos, próximo da entrada do Sitio do Pica Pau Amarelo.
. Festa Agropecuária no CAPITU, uma beleza de festa onde podemos admirar a beleza das vacas e dos cavalos das redondezas e das quadradezas regionais.

(Fonte: Desciclopédia - de 23 de maio de 2007, às 21h41min)

sexta-feira, 26 de março de 2010

Coisa de mineiro...

Um mineirim tava no Ridijanero, bismado cas praia, pé discarço, sem camisa, aquele carção samba canção. Sem cueca pur dibacho. Os carioca zombando, contando piada di mineiro. Alhei a tudo, o mineirim olhou pro marzão i num si güentô: correu a toda velocidadi i deu um mergúi, deu cambaióta, pegô jacaré i tudo mais.
Quano saiu, o carção di ticido finim tava transparente e grudadim na pérna. Todu mundo na praia tava oiano pro tamanho do "amigão" qui o mineirim tinha. O bicho ia até pertim do juêi... A turma nunca tinha visto coisa iguar. As muié cum sorrisão, os homi roxo dinveja, só tinham oios pro bixo. O mineirim intão percebeu a situação, ficou todo invergonhadu i gritô: - Qui qui foi, uai?! Seus bobãum...vão dizê qui quando oceis pula na água fria, o pintim dôceis num incói tumém?!
 
(Dominu púbrico)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Ser mineiro

Se sou mineiro? Bem, é conforme, dona. (Sei lá por que ela está perguntando?) Sou de Belzonte, uai.

Tudo é conforme. Basta nascer em Minas para ser mineiro? Que diabo é ser mineiro, afinal? Inglês misturado com oriental? É fumar cigarro de palha, como o poeta Emílio, de Dores do Indaiá? Autran fuma cachimbo. Tem até quem fume cigarro americano. (No bairro do Calafate havia uma fábrica de "Camel".) Em suma: ser mineiro é esperar pela cor da fumaça. É dormir no chão para não cair da cama. É plantar verde pra colher maduro. É não meter a mão em cumbuca. Não dar passo maior que as pernas. Não amarrar cachorro com lingüiça. Porque mineiro não prega prego sem estopa. Mineiro não dá ponto sem nó. Mineiro não perde trem. Mas compra bonde. Compra. E vende pra paulista.
Evém mineiro. Ele não olha: espia. Não presta atenção: vigia só. Não conversa: confabula. Não combina: conspira. Não se vinga: espera. Faz parte do decálogo, que alguém já elaborou. E não enlouquece: piora. Ou declara, conforme manda a delicadeza. No mais, é confiar desconfiando. Dois é bom, três é comício. Devagar que eu tenho pressa. Fernando Sabino

"Ser mineiro é não dizer o que faz , nem o que vai fazer , é fingir que não sabe aquilo que sabe , é falar pouco e escutar muito , é passar por bobo e ser inteligente...". Ser Mineiro é dizer UAI, é ser diferente e ter marca registrada, é ter história. Ser Mineiro é ter simplicidade e pureza, humildade e modéstia, coragem e bravura, fidalguia e elegância. Ser Mineiro é ver o nascer do sol e o brilhar da lua, é ouvir o cantar dos pássaros e o mugir do gado, é sentir o despertar do tempo e o amanhecer da vida.
Ser Mineiro é ser religioso, conservador, é cultivar as letras e as artes, é ser poeta e literato, é gostar de política e amar a liberdade, é viver nas montanhas, é ter vida interior. É ser gente. Guimarães Rosa

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Hino a Araguari

Araguari dos meus sonhos
Orgulho de Minas Gerais
Relembro os dias risonhos
Da mocidade que não volta mais.

Vivo carpindo a saudade
Saudade que me invade o ser.
Araguari que me viu nascer
Longe de ti não sei viver
Araguari do meu bem querer
Sem ti não posso viver.

Ar perfumado
Das flores do mato
A noite as estrelas beijando o regato
Tudo a sorrir em mágico esplendor
Araguari é um ninho de amor!


Letra: Zequinha Torres
Melodia: Geraldo Marra

Serafim Peres, personalidade que transcende Araguari

Depois de plantar café no Norte do Paraná e em Tupã, Alta Paulista, resolveu se mudar "de mala e cuia" para a região do Cerrado Mineiro, instalando-se no Distrito do Amanhece, em Araguari.
O interessante nome "Amanhece" foi dado porque, antigamente, quando havia uma linha férrea regular, os trens provenientes ou de São Paulo ou de Goiás faziam uma parada nesse local para abastecer as "Marias Fumaças", como eram chamadas as locomotivas a vapor, de água. Como, normalmente, devido ao horário de chegada ser o noturno, os condutores pernoitavam lá e, dessa forma, a composição literalmente "amanhecia" no Amanhece...

Sr. Serafim, como os típicos novos bandeirantes do Cerrado Mineiro, se apaixonou pela pesquisa, chegando a transformar a sua famosa Fazenda Paraíso num verdadeiro "campo experimental", onde são mantidos diversos experimentos sobre irrigação e nutrição do cafeeiro. Em grande parte, essa paixão pela pesquisa foi estimulada pelo seu filho Evanildo Peres, agrônomo com mestrado em Nutrição do Cafeeiro e que foi docente da UNESP em Jaboticabal. Particularmente, considero Evanildo como um dos mais brilhantes agrônomos, sendo meu "guru" nas "coisas da planta do café" .

Outra particularidade é que o Sr. Serafim é referência em termos de alta qualidade de cafés, tendo produzido ao longo dos anos excelentes cafés, além de ser um dos formadores de opinião da região.

Do Portal de Araguari, por Ensei Neto, autor do site http://www.coffeetraveler.net/

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Gracie

Você é linda
cor de primavera

Sonharei
com o seu
sorriso
e beijarei
o seu
sol

Amanhã
ao
meio
dia.


Ricardo Wagner Ribeiro

Paisagem Humana

Na cabeça tranqüila de um bicho
repousa sonhando o cérebro
dançam os cabelos emarulhados
na poesia louca dos poetas vivos

O sonho esquecido de um homem
vagueia no corpo perdido sem forma
giram compassos descompassados
no passado do coração atrapalhado

Agonizam bocas espumantes
espalmam as palmas das mãos flutuantes
os olhos são rios jorrando sorrisos
fontes florindo na primavera

Claros céus do sem medo
voam asas ruborboletas bailando
sóis aviões colibris se encontram
como nuvens em forma de ecos soltos no ar

Assim sou assim vou no galope
ando galopeando no lombo do tempo
caio tropeçando no caminho barrento
sem pasto nem porto sozinho bêbado solidão.

Ricardo Wagner Ribeiro