terça-feira, 20 de março de 2012

80 PRIMAVERAS II

A história de vida da Ruth, minha mãe, vai sendo aos poucos revelada aqui nessas postagens. Vamos à parte dois.

Casarão colonial na Araguari daqueles tempos (Foto: Arquivo)
     Feito ciganos, mudando de cidadezinha em cidadezinha: Monte Carmelo, Douradoquara, Abadia dos Dourados, Araguari, Três Ranchos, novamente Araguari. O tempo foi passando e você cresceu, foi ficando menina-moça e conseguiu estudar um ano do primário, onde aprendeu a ler e a escrever, conhecimento esse que ia fazer de você uma pessoa sabida, de pouco estudo, é verdade, mas de boa memória, boa leitura e uma letrinha bem bonitinha. Com a cabeça cheia de poesia, já capaz de ‘rancar suspiro’ em muito rapaz e nas amigas que ficavam escutando você declamar na fábrica de bala, onde você labutou, junto com a irmã Rizete, com a futura cunhada Ilva e com as amigas – Zinha, Gizete, Maria Conceição – colegas de forno, corte e embrulho de balinhas que iam ser vendidas ‘na venda’ e nos bares da vida.

     Foi nos vaivéns daqueles tempos duros que você se transformou, enfim, numa linda moça, querida pelos tios e tias, a ponto de vir morar em Uberlândia com o Tio Hélvio e tia Dondica, pra ajudar na lida da casa e sair um pouco da barra das calças do ‘Seu Alberto e das saias da Dona Nedina’, que tinham um ciúme danado, a ponto de vigiar as filhas até detrás da moita, pra ‘num podê namorá ninhum rapaiz’ até chegar um moço bão que pudesse casar e honrar a família – família pobre, mas honrada. Tempos difíceis aqueles, em moça?

80 PRIMAVERAS I

Dona Ruth, minha mãe, mineira de Monte Carmelo, completou 80 anos de vida dia 1° de março último. Na qualidade de filho (quinto da lista de oito) e apaixonado por ela, escrevi uma historinha bem bonitinha de tudo o que ouvi e recortei na memória ao longo desses meus 52, dela mesma, de meus avós e outras pessoas muito ligadas à mãezinha. Resolvi, então, publicá-la aqui no blog Geraes, dividida em partes. Aí vai a primeira delas.

D. Ruth e este blogueiro (foto: Ricardo W. Ribeiro)

          Psiuu! Ei, menina! É! É com você mesma que eu estou falando! Lembra daquele tempo que você brincava, enquanto ajudava a ‘Dona Enedina’ a cuidar da casa e das irmãs menores? Sim! Você corria - 'pèzinhos’ descalços, ‘vistidinho' de paninho velho desbotado, balançava na 'gangorra', depois voltava e ajudava a peneirar o feijão, varria a casa de chão batido com vassoura de palha, ‘ariava’ as panelas de ferro, tirava água da cisterna, punha no fogo pra ‘quentá’, ajudava a ferver a roupa, colocava pra qüarar no sol.

          Enquanto isso, a ‘Dona Nedina’ tava lá, dentro do ‘córgo’, com a água batendo na cintura, esfregando a roupa que lavava com sabão de bola... e gritava de lá: ê minina, vai correndo buscar a lenha com seu irmão e volta logo, que ainda tem muita coisa pra fazer aqui. E vocês voltavam, trazendo aqueles fechos de lenha amarrados e gravetos, que se equilibravam na cabeça. Lembra?

          Algum tempo depois, minina, você tinha lá seus nove anos de idade, talvez um pouco menos, e ia pra roça com o ‘Seu Alberto’, na garupa do cavalo ‘modi cuzinhá pra ele’ e pros piões, onde o carpinteiro trabalhava, fazendo curral, paiol, portêra, madeiramento de telhado, assentando portas e janelas naquelas casas antigas de fazenda pelo Goiás e Minas Gerais afora.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

"Só pra empustemar" - direto do Correio de Uberlândia

O Correio de Uberlândia deste último domingo (5) traz a crônica de Clarimundo Campos (na foto), com o título acima. Achei muito interessante, após ler a coluna do Ivan Santos, que comparou a crise da PM na Bahia ao ovo da serpente (O ovo da serpente). Diz a crônica do Clarimundo, ipsis literis:
Clarimundo Campos,
engenheiro agrônomo aposentado
(Foto: Correio de Uberlândia)

Emprego bom pra burro dos sabidos é de parlamentar. Ele mesmo é o patrão dele mesmo. Este é o máximo em matéria de ser bonzinho. Dá cada aumentão ao empregado sem pedir! Seu empregão foi arranjado pelo eleitor, um cara trouxa. A compensação que o panaca tem é uma banana pacova.

Tenho uma dúvida: será que o governo é burro ou ingênuo? Pede que o povo lhe entregue as armas de fogo. Será que ele pensa que os bandidos também vão atender àquele pedido? Desarmar o povo pacato equivale a armar ainda mais a bandidagem.

Sei o que é filósofo, mas não sei o que é Filosofia. Sei o que médico, mas nada sei de Medicina. Sei o que é agrônomo, mas já esqueci o que é Agronomia. Agora sei o que é transposição. O governo, para se mostrar, atacou a construção de um canal para levar águas do Velho Chico para o Nordeste. Beleza! Mas o PAC empacou. O cimentado do canal levou à breca por causa do sol brabo e a falta de água. E agora? Dá, ainda para fazer a transposição de um rio de dinheiro do povo para o bolso dos espertalhões.

Não sei o que é pustema. Sei o que é empustemado. Este termo foi inventado por mim durante o governo Lula. Serve para substituir chato, quando já está chato chamar chato de chato.

As mulheres estão com tudo. Vão de presidentas as chapas. São senadoras, ministras, governadoras, desembargadoras, mas não sei o que desembargam. São de um tudo, do primeiro ao quinto. Ainda não me disseram se há papisa, atualmente. Não há mais aquele negócio de “lugar de mulher e máquina de costura é em casa”. As dondocas sabem fazer tudo, com mais esmero do que nós, os homens. O que não podem fazer sozinhas são meninas mulheres e meninos homens. Ai elas têm que apelar para os machos. Assim falei porque nem todo homem é macho. Não há tarefa mais agradável que fazer nenê. No entanto, não fiquem tão alegrinhos, senhores machinhos. Com o rápido avanço da tecnologia, desconfio que as atuais fêmeas dos homens sejam engravidadas pela internet. Um conselho dou a elas: não soltem seus sites a torto e a direito. Há muito pilantra navegando na internet.

(Leia o jornal Correio de Uberlândia: http://www.correiodeuberlandia.com.br/colunas/)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Manteiga de Moeda: comida mineira em poesia

O poeta mineiro Mão Grande, salvo engano, da cidade de Brazópolis, parodiou o poema "Musica Brasileira", de Olavo Bilac. Bilac, poeta carioca parnasiano do final do século 19 e início do século 20 chegou a pregar que a nossa música é toda cálice, toda acesa e feitiço das três raças. Vejamos:

 Poeta parnasiano Olavo Bilac, carioca, (16/12/1865-28/12/1918)

Tens, às vezes, o fogo soberano
Do amor: encerras na cadência, acesa
Em requebros e encantos de impureza,
Todo o feitiço do pecado humano.

Mas, sobre essa volúpia, erra a tristeza
Dos desertos, das matas e do oceano:
Bárbara poracé, banzo africano,
E soluços de trova portuguesa.

És samba e jongo, xiba e fado, cujos
Acordes são desejos e orfandades
De selvagens, cativos e marujos
:
E em nostalgias e paixões consistes,
Lasciva dor, beijo de três saudades,
Flor amorosa de três raças tristes
.

Mão Grande brinca, em seu poema "Manteiga de Moeda", onde diz, sobre a deliciosa culinária mineira:

Mão Grande, poeta das Geraes

Tens às vezes o colesterol tirânico
Do sabor encerras farras e sobremesas
De pernis e doces sobre a mesa
Sobra a manteiga pra outros fins
Mas sobre essa volúpia
Inda acerta a tristeza
U home qui é home
Dos garfos, poucos vestidos e pecados
É doido por tempero de cebola roxa
Rebola morena roxa na coxa do chamêgo
E sabe que breá de manteiga é banhá com leite
O feitiço que mantêm a lenha pro fogão aceso.

(Poema publicado no portal As Minas Gerais http://www.asminasgerais.com.br/?item=ALBUM&codAlbum=460)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

"Divagação sobre as Ilhas" ou simplesmente "Passeios na Ilha" de Drummond

Texto do poeta maior em prosa poética, que, segundo Carlos Vieira, médico psicanalista da Sociedade de Psicanálise de Brasilia (no Blog do Moreno - em 18.jan.2012), mostra a necessidade do ser humano ter sua própria individualidade, seus momentos e espaços de “ilha” para preservar sua saúde mental e seu crescimento psíquico.

Escreve o poeta: “Quando me acontecer alguma pecúnia, passante de um milhão de cruzeiros, compro uma ilha; não muito longe do litoral, que o litoral faz falta; nem tão perto, também, que de lá possa eu aspirar a fumaça e a graxa do porto.


Minha ilha (e só de a imaginar já me considero seu habitante) ficará no justo ponto de latitude e longitude que, pondo-me a coberto dos ventos, sereias e pestes, nem me afaste demasiado dos homens nem me obrigue a praticá-los diuturnamente. Porque esta é a ciência e, direi, a arte do bem viver; uma fuga relativa, e uma não muito estorvada confraternização.” Perceba, caro leitor, a genialidade e a capacidade intuitiva do poeta: ter sempre um espaço de vida que marque autonomia, liberdade e privacidade.

Continua o poeta: “ ... mas será que se procura realmente nas ilhas a ocasião de ser feliz, ou um modo de sê-lo? E só se alcançaria tal mercê, de índole extremamente subjetiva, no regaço de uma ilha, e não igualmente em terra comum?... Procuro uma ilha, como já procurei uma noiva... A ilha dever ser o quantum satis (na medida exata) selvagem, sem bichos superiores à força e ao medo do homem... Para esta ilha sóbria não se levará bíblia nem se carregarão discos... Nossa vida interior tende à inércia. E bem-vinda é a provocação que lhe avive a sensibilidade, impelindo-a aos devaneios que formam a crônica particular do homem, passada muitas vezes dentro dele, somente, mas compensando em variedade ou em profundeza o medíocre da vida social... Não levem para as ilhas os problemas de hegemonia e ciúme... A ilha é meditação despojada, renúncia ao desejo de influir e atrair... Em geral, não se pedem companheiros, mas cúmplices. E este é o risco da convivência ideológica. Por outro lado, há certo gosto em pensar sozinho. É ato individual, como nascer e morrer. A ilha é, afinal de contas, o refúgio último da liberdade, que em toda a parte se busca destruir. Amemos a ilha.”

Segundo Carlos Vieira, "A prosa de Drummond é séria, profunda, psicologicamente acertada, e mais ainda: uma verdadeira lição para se viver, conviver, guardando com o parceiro ou com qualquer coisa que se tenha na vida, uma relação de juntos e separados, caso contrário não sobreviveremos às crises de “angústia de intrusão” em nossas vidas, os nossos momentos de “claustrofobia dentro de uma relação”.

(Texto recentemente publicado, em nova edição, pela Editora Cosacnaif, São Paulo, 2011)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Tricolor araguarino perdeu um de seus maiores ídolos

Depois de perder seu ex-presidente Amélio Gabriel Cardoso Júnior, morto em um acidente na BR-050, o Fluminense Futebol Clube de Araguari recebeu mais uma triste notícia no final de 2011. Morreu no dia 31, de câncer generalizado, um dos maiores jogadores da história do Tricolor: o ex-meia Juca Show (67 anos). Ele morava em Belo Horizonte e há pouco tempo teve seus pés imortalizados na calçada da fama. O enterro ocorreu no Cemitério da Consolação.

Nascido José Aparecido Conceição, em 10 de novembro de 1944, Juca Show ganhou projeção no Fluminense de Araguari entre o final da década de 60 e o início da década de 70. Passou por Uberaba, América, Náutico e Paysandu.

Juca Show (ao centro) em um dos melhores
times da história do Fluminense

Juca era realmente um show com as bolas nos pés. Tinha um domínio fenomenal e uma excelente visão de jogo. Era perfeito nos desarmes. Também marcavam seus gols, muitos deles com maestria. Hoje, sem dúvida, seria convocado para a Seleção Brasileira, tamanho o seu talento.

Jogador de uma simplicidade ímpar, Juca Show veio de Uberaba trazido pelo inesquecível Mauro Cunha, quando o Fluminense conseguiu formar um esquadrão matador que aniquilava adversários, inclusive jogava de igual para igual com os grandes da capital. Em 1970, o Fluminense só não ganhou do Atlético, no Estádio Sebastião César, graças à ajuda do árbitro, que anulou um gol legítimo do Tricolor, quando a bola penetrou no canto do gol e saiu, graças a um grande buraco na malha apodrecida.

O Fluminense Futebol Clube, através de seu presidente José Antônio César da Silva, lamentou a morte de Juca Show e decretou luto oficial de três dias no Tricolor araguarino.

FIQUE POR DENTRO

No dia 5 de abril de 1972, Juca Show apareceu como uma flecha para garantir a vitória de 1 a 0 do Fluminense diante da Caldense, no Estádio Sebastião César. O árbitro Hélio Cosso se preparava para apitar o final da partida, quando o craque levou a massa ao delírio.

No dia 26, contra o América, seu futuro clube, Juca também foi para as redes, apesar da derrota de 3 a 2, em casa. Nesse jogo, encheu os olhos da diretoria do Coelho. Na capital, Juca havia se destacado, no revés de 1 a 0. O Tricolor entrou em campo com Vandeir; Correia, Lino, Tim e Arlindo; Bene e Mauro; Luis Carlos (Jair), Juca Show, Reinaldo e Noé (Toninho).

Com a camisa do
América Mineiro

Em 1971, o grande goleiro Raul, do Cruzeiro, teve que se virar para evitar um gol de Juca, na apertada vitória de 2 a 1. O arqueiro dividiu a bola com o meia do Flu e perdeu dois dentes.

Juca Show foi imortalizado na Calçada da Fama
do Mineirão, em junho de 2010


Juca Show: um exemplo de ótimo futebol na década de 70

Ranking Nacional de moutain bike 2011 tem atleta araguarino em 1° lugar

Do jornal Gazeta do Triângulo - Araguari

Quando nos deparamos com uma história de sucesso, verificamos que em quase todos os casos houve muita dedicação, amor e empenho para obter os resultados alcançados, principalmente no esporte. O esportista no Brasil exige muita paixão para alcançar resultados e é preciso doar o máximo de si para chegar lá.

O atleta Jhefferson Ferreira Silvestre de Paiva “Jhefin”, araguarino de 15 anos consegue este grande feito. Ele fechou o ano de 2011 em primeiro lugar no Ranking Nacional de MTB. Após participar de várias corridas que contaram pontos para o ranking, nosso atleta de ouro atinge a marca de 356 pontos, assumindo assim a liderança em sua categoria (Juvenil), onde compete com atletas de até 16 anos.

“Jhefin” fechou o ano de 2011 em primeiro lugar
no Ranking Nacional de MTB


Mesmo sem um bom patrocínio, mas com muita força de vontade, o atleta vestiu a camisa da Reribike e foi participar dos principais eventos do país em busca de um sonho “... ser o 1º colocado no ranking nacional para conseguir novamente um patrocinador que me ajude a participar das olimpíadas...”, viajando para vários Estados, como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso, em busca dos melhores resultados e o reconhecimento no esporte.

Mal começou o ano e vimos nosso atleta treinando nas ruas e estradas do nosso município, faça sol ou chuva lá está ele focado nos seus objetivos, que além de esportista e estudante, também trabalha na Reribike, loja de bike da família que o apóia em sua trajetória.

“...alguns acham que é muito fácil. difícil é fazer acontecer, é preciso sempre fazer o melhor, fazer mais do que nos pedem, fazer bem feito sempre. Procuro dedicar-me cada dia mais do que me dedico e cada vez mais com amor e paixão pelo que faço.”

Jhefferson, a equipe da Reribike e familiares desejam a você muito sucesso nesta sua jornada, e que 2.012 seja de mais sucesso ainda. (com assessoria)



(Publicado na Gazeta do Triângulo em 07.01.2012 http://www.gazetadotriangulo.com.br/novo/index.php?option=com_content&view=article&id=18048:atleta-araguarino-fecha-2011-em-primeiro-lugar-no-ranking-nacional-de-moutain-bike&catid=15:esportes&Itemid=159 )